TRATAMENTOS PREVENTIVOS E CURATIVOS NO CONTROLE
DE INSETOS E PRAGAS EM SILOS E
ARMAZÉNS GRANELEIROS

Eng. Agr. Rubens Stresser*



Introdução - Armazenamento de grãos.

O que é, afinal, armazenar? Segundo o "Novo Dicionário Aurélio, da Língua Portuguesa", armazenar significa: guardar ou recolher em armazém, conter em depósito, acumular, juntar, fazer provisões.

Contudo, quando nos referimos a grãos, o ato, a ação de armazenar não pode, absolutamente, ser considerada apenas como uma mera guarda ou recolhimento de uma certa quantidade de cereal - seja ensacado ou a granel - num depósito que simplesmente a mantenha ao abrigo das intempéries.

Uma massa de grãos se comporta como um organismo vivo, que respira, eliminando gás carbônico; que transpira, desprendendo energia na forma de calor e, que se mostra "febril", quando atacado por insetos e/ou fungos.

Armazenar, deve ser entendido pois, como um elenco de medidas destinadas a manter a massa de grãos, o "organismo" a que nos referimos, vivo, sadio e protegido contra os seus inimigos naturais. Cada grão que se deteriora, cada grão que se perde, é como se fosse uma célula deste organismo que morre e que, conseqüentemente, implica em perda, tanto quantitativa, como qualitativa.

O correto armazenamento de grãos deve se desenvolver, principalmente, dentro de um caráter preventivo. Assim sendo, a boa conservação dos grãos e sementes armazenados e a prevenção das perdas - tanto quantitativas, como qualitativas - durante o período de armazenamento, envolve, necessariamente, a realização de uma série de procedimentos indispensáveis, como a prévia limpeza e higienização dos armazéns, silos, máquinas e equipamentos, a secagem, a limpeza e classificação dos produtos, os tratamentos preventivos dos grãos e sementes com inseticidas residuais líquidos, a aeração, e outras práticas que englobam o correto manejo da massa de grãos e o controle integrado de pragas.

Não pretendemos abordar aqui, todos os procedimentos necessários, mas sim, oferecer aos interessados no assunto, alguns subsídios para que o controle de insetos seja o mais eficiente possível.


Insetos que atacam os grãos armazenados

Embora a maioria dos responsáveis pelas nossas unidades armazenadoras seja formada por técnicos e/ou pessoas já bastante familiarizadas com o problema, à guisa de recordação, faremos algumas considerações a respeito.

São conhecidos cerca de 200 insetos que podem atacar grãos e/ou seus subprodutos. Todavia, apenas uns 30 são de maior importância. Desses, no Brasil, ,os que mais se fazem presentes nos produtos armazenados, o Sitophilus orysae, o Sitophilus zeamais, e o Ryzopertha dominica são, sem dúvida, os mais conhecidos e perniciosos. Seguem de perto, o Tribolium castaneum, o Criptolestes ferrugineus, o Oryzaephilus surinamensis e, ainda, as conhecidas traças dos cereais, como a Sitotroga cerealella, a Plodia interpunctella e a Corcyra cephalonica, entre outras.

Para o profissional experiente, a presença de determinadas espécies de insetos, pode revelar problemas na massa de grãos. Assim, por exemplo, a presença de Tribolium castaneum revela deficiências na limpeza e higienização da unidade armazenadora. O Criptolestes ferrugineus, o Orizaephilus surinamensis, psocópteros e ácaros indicam focos de umidade excessiva na massa de grãos e, portanto, condições de armazenagem deficiente.

O bom êxito no controle das pragas que atacam os grãos armazenados, requer a correta identificação dos insetos que se fazem presentes na massa de grãos, para a escolha dos inseticidas e dosagens a serem utilizadas.


Sistemas de combate às pragas de grãos armazenados


1. Medidas preventivas básicas:


1.1 - Quanto ao armazém, silo ou depósito:

Uma das medidas mais antigas, eficientes e imprescindíveis ao combate dos insetos que atacam os grãos armazenados - embora muitas vezes não levada muito a sério por uma grande maioria de armazenadoras - é, indiscutivelmente, a perfeita e permanente limpeza e higienização das instalações de armazenamento.

Assim, antes de se iniciar uma nova safra ou o recebimento de novos produtos, deve-se efetuar uma perfeita limpeza de todas as instalações de armazenamento, ou seja, dos silos, armazéns e depósitos, assim como de todas as máquinas, equipamentos, moegas, correias transportadoras, redlers, elevadores - incluídos os poços - passarelas, dutos, túneis, etc., assim como varridos, se possível lavados, os pisos, escadas, pátios e áreas de estacionamento, escovadas as paredes internas e externas e removidos todos os resíduos de grãos, incrustações, poeiras, detritos e restos de safras anteriores. O uso de ar comprimido e de aspiradores pneumáticos, pode contribuir bastante para o bom êxito das operações de limpeza.

Esses detritos nunca devem ser simplesmente amontoados nas proximidades e sim, queimados ou enterrados. Do contrário, constituirão inevitavelmente, o principal foco de infestação dos novos produtos estocados, pois os insetos existentes nos mesmos, em sua grande maioria, têm capacidade de vôo.

Uma revisão completa deve ser feita nos telhados, calhas, dutos, ralos e galerias, a fim de eliminar eventuais goteiras, vazamentos e/ou mau escoamento de águas pluviais. Também devem ser vedadas fendas e rachaduras nos pisos e paredes - que poderão abrigar grãos e resíduos infestados - e, inclusive, nas calçadas externas, cujas trincas, além do mais, poderão resultar em infiltrações nas épocas chuvosas, que certamente irão comprometer a boa conservação dos grãos armazenados.

Como conseqüência de higienizações deficientes, do mau manejo da massa de grãos, da utilização de subdosagens e/ou outros fatores, é cada vez mais freqüente, encontrar armazéns, silos e/ou depósitos "doentes", isto é, com infestação crônica de insetos resistentes e ou tolerantes aos inseticidas habitualmente utilizados. Neste caso, faz-se necessário maior rigor na limpeza dos mesmos e a utilização de inseticidas de outros grupos químicos, que estejam devidamente registrados no Ministério da Saúde para a higienização de ambientes.

Na área externa das unidades armazenadoras, especial atenção deve ser dada à eventual existência de vegetação que possa servir de abrigo ou alimentação aos insetos, ratos e outras pragas. Já tivemos oportunidade de constatar, por exemplo, em plena época de recebimento de grãos, que sementes das pinhas de pinus plantados em torno de um armazém, estavam com uma intensa infestação de Rhyzopertha dominica.


1.2 - Quanto ao produto a armazenar:

É sabido, que de um modo geral o milho, o trigo, a cevada, o arroz e outros cereais, podem ser atacados por insetos já nas próprias lavouras. Por isso, na amostragem que se procede na recepção dos produtos, especial atenção deve ser dada à eventual presença de insetos. As cargas infestadas devem ser, preferentemente separadas e expurgadas ou, simplesmente devolvidas ao produtor, para que o mesmo providencie a eliminação dos insetos. Redobrado cuidado deve ser tomado no caso de recebimento de produtos que estão sendo transferidos de outros locais de armazenamento, em especial, os de safras anteriores.

Jamais devem ser recolhidos nos armazéns, produtos que não estejam perfeitamente secos. Uma única carga de grãos com umidade superior a 15%, que seja recolhida num armazém graneleiro, certamente irá formar um "bolsão" de calor, favorável ao desenvolvimento de insetos e fungos.

A mesma prática se aplica também à limpeza dos grãos, já que as impurezas também favorecem as infestações e multiplicação de fungos. Em resumo, deve sempre prevalecer a regra básica para um bom armazenamento: o produto tem que estar seco, são e limpo.

Algumas armazenadoras costumam efetuar o tratamento preventivo dois ou três meses após o recolhimento do produto no armazém, isto é, quando muitas vezes já é visível a presença de insetos, o que compromete seriamente a boa conservação do mesmo. Assim, é importante lembrar, que os grãos recém colhidos devem ser tratados o quanto antes possível.


2. Tratamentos preventivos com inseticidas residuais líquidos.

Os tratamentos preventivos com o uso de inseticidas residuais líquidos, englobam inúmeras práticas que passamos a relatar:


2.1 - Aplicações de higienização

Os inseticidas constituem um complemento às boas práticas de higienização. Visam a eliminação dos insetos ainda existentes no ambiente e criar uma barreira à entrada de invasores. Assim, após a limpeza geral relatada no item 1.1, deve-se proceder a uma esmerada pulverização, com inseticidas residuais que estejam devidamente liberados pelos Ministérios da Agricultura e Saúde e/ou, de suas respectivas Secretarias Estaduais, de conformidade com as recomendações contidas no item 3.1.

Na eventualidade de ainda existirem estocados produtos de safras anteriores, que não puderem ser removidos, torna-se necessário verificar se os mesmos não apresentam infestações. Caso positivo, devem ser procedidos no mínimo dois expurgos a base de fosfina, com intervalo de 10 a 15 dias e, ainda, efetuar pelo menos duas aplicações sucessivas de superfície, com intervalo de 15 dias, conforme dosagens que se relatam no item 2.3, a fim de evitar a infestação dos grãos que forem recebidos na nova safra.


2.1.1 - Equipamentos utilizados nas higienizações.

Nas pequenas unidades de armazenamento, geralmente utilizam-se pulverizadores costais manuais, dotados de bicos com uma vazão que permita "molhar", com a calda inseticida, as paredes, pisos, máquinas de limpeza, moegas, enfim, tudo o que acima já foi mencionado.

Pulverizadores costais motorizados quando utilizados com aceleração elevada, geralmente produzem gotículas mais finas, facilmente arrastadas pelas correntes de ar ou, ainda, eventualmente vaporizadas pela temperatura ambiente elevada em algumas regiões, o que os tornam desaconselháveis para este tipo de aplicação, já que, praticamente, não haverá deposição do inseticida nas superfícies tratadas.

Em unidades armazenadoras médias ou de grande porte, recomenda-se a utilização de pulverizadores motorizados montados sobre carrinhos, dotados de um tanque com boa capacidade, cabo elétrico e mangueira com pistola (Figs. 1 e 2), com comprimentos adequados às dimensões dos armazéns a serem tratados.




Fig. 1 - Pulverizador montado sobre carrinho




Fig. 2 - Pistola de pulverização


Embora existam à venda no mercado, unidades pulverizadoras apropriadas para tal, poderão, todavia, ser adaptados pulverizadores agrícolas acionados por motores elétricos. São adaptações que podem ser feitas na própria unidade armazenadora, geralmente com a utilização de materiais e equipamentos em desuso. 

Os pulverizadores motorizados ensejam, além de uma melhor cobertura com a calda inseticida, maior perfeição, rapidez e facilidade no trabalho dos operadores.

Os bicos de pulverização podem, também, ser montados num cano com as dimensões e formatos apropriados, improvisando-se, assim, uma barra que permite a pulverização de faixas mais largas, assim como alcançar alturas não conseguidas com os equipamentos convencionais (Fig. 3). Existem no mercado, alguns tipos de lanças de pulverização e uma grande variedade de bicos, que podem ser utilizadas para tais fins (Fig. 4).




Fig. 3 - Adaptação de bicos para higienização




Fig. 4 - Ponta de lança da Yamaho, com 3 bicos

 

A propósito, quando as paredes dos armazéns e/ou silos não puderem ser pulverizadas até a sua altura máxima, mesmo com o uso de extensões, pulveriza-se, inicialmente, até onde for possível e, posteriormente, o tratamento é completado à medida que o cereal for subindo, isto é, quando o silo e/ou armazém já estiver parcialmente cheio. Neste caso, a operação pode ser realizada após o encerramento do expediente ou, ainda, pela manhã, antes de iniciar-se os trabalhos da unidade armazenadora.

Para uma maior perfeição nas pulverizações de higienização, é importante calibrar o equipamento em função do operador, que deve testá-lo primeiramente com água, no pátio do armazém ou em outro local que disponha de uma área livre de 10 x 10 metros, ou seja, 100 m². O propósito, é saber quantos litros de calda serão necessários para "molhar" esses 100 m², em função da vazão do bico ou bicos e do ritmo de trabalho do operador, a fim de assegurar a correta aplicação do inseticida, nas dosagens recomendadas. Para tal, após marcar a área de 10 x 10 metros, colocam-se 10 litros de água no pulverizador (costal manual ou motorizado), dotado de bicos que produzam gotas médias, de forma a "molhar" totalmente a área demarcada. Completada a operação, no ritmo que o operador pretenda trabalhar, basta medir a água que sobrou no pulverizador, para se saber a quantidade de calda necessária para cada 100 m² de área a ser pulverizada. É um método simples, que assegura uma perfeita higienização das instalações de armazenamento, com a adequada deposição de inseticidas residuais nas superfícies pulverizadas e, sem desperdício dos produtos.


2.2 - Aplicação direta sobre os grãos na correia, roscas e/ou dutos de transporte.

Qualquer grão que necessite ser armazenado por mais de dois meses, deve ser tratado preventivamente com inseticidas residuais devidamente aprovados e liberados pelos Ministérios da Agricultura e da Saúde.

Em virtude das pesquisas realizadas em 1972 pelos engenheiros agrônomos Licelma Fehn e Andrej Bertels Menshoy, da Seção de Entomologia e Parasitologia do então Instituto de Pesquisas Agropecuárias do Sul - IPEAS, em Pelotas (RS), com trigo pulverizado com malathion 100 CE, o CTRIN - Departamento de Comercialização do Trigo Nacional, do Banco do Brasil - extinto no malfadado governo Collor de Melo - após a aprovação da Pesquisa, naquele mesmo ano passou a exigir de seus depositários, que o trigo adquirido pelo Governo Federal e destinado à formação de estoques reguladores, passasse a receber um tratamento preventivo de inseticida com poder residual, na ocasião da entrada nos armazéns intermediários e/ou reguladores.

Na mesma época surgiu no mercado o atomisador "Primus", para tratamento de grãos na esteira de transporte, equipamento que foi adotado pelo CTRIN. Com isto, aparentemente ficou resolvido o problema das infestações de Sitophilus orysae e Sitophilus zeamais, as únicas pragas importantes que até então se conheciam, nos depósitos credenciados para o recebimento e estocagem do trigo a granel.

Entretanto, com o decorrer dos anos, surgiram os primeiros indícios de que alguma coisa não estava funcionando bem, pois os insetos pareciam ter se tornado resistentes à ação dos inseticidas até então utilizados - o Malathion 100 E e o Nuvan 7 (DDVP) - o que resultou na utilização de dosagens cada vez mais altas. Abusos se sucederam e algumas amostragens do produto estocado a ser embarcado para os moinhos, encaminhadas para análise, revelaram residuais de inseticidas superiores aos admitidos pela legislação vigente.

Assim, viu-se o CTRIN obrigado a suspender as aplicações na quase totalidade dos armazéns credenciados e encaminhar o produto, para as poucas armazenadoras que dispunham de condições razoáveis para a realização de expurgos a base de fosfina.

No início de 1980, com o aparecimento e rápido desenvolvimento do Rhyzopertha dominica, a situação se complicou ainda mais.

Revendo a literatura até então existente, chegamos às seguintes conclusões: 

Os atomisadores, bastante empregados em muitos países produtores de grãos, como se sabe, geralmente em função de um jato de ar acoplado ao bico de pulverização, produzem gotículas finíssimas. Apresentam, por isso, a vantagem de reduzirem substancialmente o volume da calda utilizada. Foram, entretanto, concebidos - em regiões de clima temperado - para aplicações em ambientes confinados, isto é, dentro dos dutos de transporte, na base interna dos elevadores, etc.. 

Assim, chegou-se à conclusão, que o atomisador "Primus", fabricado em Carazinho (RS), em que pese a sua alta tecnologia e esmerado acabamento, jamais deveria ter sido utilizado da maneira como o foi, em tratamentos na correia transportadora, principalmente nas regiões mais quentes do país.

Instalados geralmente nas passarelas, próximo ao teto dos armazéns graneleiros, onde normalmente se registram temperaturas elevadas - que chegam em certas regiões produtoras em torno de 55º C - o que ocorria, então, com a calda inseticida atomisada? Sendo a mesma transformada pelo atomisador em micro-gotículas, grande parte delas se perdia por evaporação e outra parte, por deriva, provocada pelas correntes de ar quente ascendente e, ainda, pela movimentação da própria correia transportadora. Desta forma, apenas uma diminuta parcela do inseticida acabava sendo incorporada à massa de grãos, o que resultava, além do mais, numa perda de até 70% do inseticida. Isto foi constatado através de análises dos residuais, procedidas na França, pelos pesquisadores da Roussel Uclaf, quando se realizavam os primeiros testes com o piretróide K-Obiol 25 CE, nos armazéns da extinta AGEF, em Curitiba.

Esta constatação nos levou a modificar totalmente o sistema de tratamento de grãos na correia transportadora. Ao invés da atomisação, passamos a utilizar a pulverização dos grãos.

Como se sabe, a pulverização consiste na utilização da força hidráulica gerada por uma bomba, fazendo com que o fluxo da calda inseticida, ao passar pelo orifício do bico de pulverização, fracione-se, formando gotas. O tamanho das gotas depende do tipo de bico, do diâmetro do orifício e da pressão utilizada na bomba. Assim, pressão baixa e orifício do bico maior, resultam na formação de gotas maiores, enquanto que uma pressão alta e orifício menor, proporcionam gotículas pequenas.

O pulverizador, dependendo pois dos bicos utilizados e da pressão da bomba, produz gotículas maiores, que chegam a "molhar" a superfície dos grãos, evitando o inconveniente das perdas por evaporação e/ou deriva, provocada pela movimentação da correia transportadora e/ou das correntes ascendentes de ar quente.

Entretanto, observou-se na seqüência, através da análise de amostras de trigo tratado com o equipamento já modificado para pulverização, que ocorria uma péssima homogeneização do inseticida na massa de grãos, o que poderia ensejar a proliferação dos insetos invasores e o surgimento de raças de insetos resistentes e/ou tolerantes aos inseticidas. Verificou-se, ainda, que quanto maior era a cadência de transporte dos grãos na correia, tanto pior era a distribuição do inseticida no produto tratado.

Para minimizar o problema da má incorporação da calda na massa de grãos, passamos a instalar no conjunto, as "paletas homogeneizadoras", também denominadas "tombadores". De inicio inteiramente metálicas, hoje são confeccionadas apenas com uma "alma" de ferro, onde é fixada uma borracha de pneus e/ou lona de correia, conforme mostra a Fig. 5.




Fig. 5 - Paleta homogeneizadora e/ou tombador


Além de apresentarem um melhor desempenho, não oferecem riscos de dano à esteira de transporte do cereal. Para cada bico, recomenda-se colocar, um par de "tombadores" (Fig. 6), que devem ser posicionados abaixo dos bicos pulverizadores e de tal forma que o cereal ao transpô-los, forme um remoinho. (Fig. 7)

Para evitar que o cereal tratado se projete para fora da correia, é necessária a colocação de anteparos nas duas laterais, ao longo da barra de pulverização, como também pode ser verificado nas Figs. 6 e 10.




Fig. 6 - Posicionamento dos tombadores abaixo do bico. Nas laterais, os anteparos.




Fig. 7 - Remoinho formado pelo correto posicionamento dos tombadores


2.2.1 - Pulverizadores utilizados nos tratamentos de correia e/ou dutos de transporte, redlers, roscas, etc..

Embora existam à venda no mercado, pulverizadores fabricados especificamente para o trabalho nas unidades armazenadoras (Fig. 1), e, inclusive tratadores de grande capacidade, como é o caso do Rotomix e do Dreyfe, instalados em algumas cooperativas, na prática, qualquer marca de pulverizador agrícola pode ser adaptado para o tratamento de grãos armazenados e, ainda, para as pulverizações de higienização e da superfície da massa de grãos.

Inúmeras são as cooperativas, produtores rurais, comerciantes, armazéns gerais e até mesmo armazéns oficiais, que alcançaram pleno sucesso com a adaptação de pulverizadores agrícolas. Assim, bombas pulverizadoras da Jacto, Hatsuta - atual Yamaho - e outras, acionadas por motores elétricos de 2 a 3 HP, de baixa rotação, montadas numa plataforma metálica, ao qual se adapta um tanque de fiberglass, polietileno ou outro material e, de mangueira especial para o uso de inseticidas, têm mostrado excelentes desempenhos (Fig. 8).




Fig. 8 - Adaptação de pulverizador agrícola sobre carrinho



Na plataforma da correia transportadora, é instalado um suporte para a barra, onde são fixados os bicos pulverizadores e os "tombadores". Os suportes dos bicos e as conexões utilizadas são as normalmente instaladas nas barras dos pulverizadores agrícolas (Fig. 9).




Fig. 9 - Detalhe de bico fixado na barra de pulverização



2.2.2 - Locais de aplicação, bicos utilizados e instalação do equipamento de 
pulverização.

A escolha do local de aplicação, isto é, da montagem da barra de pulverização, é fundamental. Deve ser de fácil acesso, a fim de permitir e facilitar a calibração da vazão da calda inseticida e a contínua inspeção dos bicos pulverizadores, conexões, etc.. Sempre que possível, deve-se optar pela instalação da barra de pulverização (Fig. 10), ao nível do térreo e ao abrigo de altas temperaturas.




Fig. 10 - Detalhe da barra já instalada, com bicos, tombadores e anteparos laterais



Em função do fluxo do cereal na correia transportadora, calcula-se a vazão e o número de bicos necessários, para aplicar a dosagem de inseticida que desejamos incorporar à massa de grãos. De um modo geral, quanto maior a cadência de transporte da correia, maior tem que ser a vazão de inseticida e, portanto, também maior o número de bicos necessários. A não ser para cadências inferiores a 30 ou 40 toneladas por hora, é recomendável a instalação de, no mínimo, 3 bicos. Antes de cada bico, convém instalar um registro para possibilitar a interrupção do fluxo da calda durante uma eventual limpeza do mesmo. Recomenda-se, também, a instalação de um bico extra, a ser utilizado na mesma ocasião, o que evitará a diminuição do volume da calda inseticida durante o tratamento.

A escolha dos bicos está, portanto, condicionada aos fatores acima apontados. O importante é que haja a formação de gotas médias, suficientemente pesadas para não sofrerem os efeitos de deriva e com volume de calda suficiente para "molhar" a massa de grãos, em sua passagem pela correia transportadora. Recomenda-se aplicar 1 a 2 litros de calda por tonelada de grãos.

Existe no mercado uma diversidade de bicos, conforme pode ser verificado nas tabelas de vazão fornecidas pelos fabricantes. Os mais utilizados para as pulverizações na correia, são os da série X1, X2, 80.01, 80.02, J-10, etc.

Pessoalmente, estamos dando preferência aos bicos "cone vazio". pois, uma vez regulada a altura do bico - para que toda a largura da faixa de grãos seja coberta pelo jato da calda inseticida - não apresentam o risco de alteração no posicionamento da largura do jato de calda, durante as eventuais operações de limpeza de bicos entupidos (Figs. 11, 12 e 13).

Fig. 11 - Bico leque


Fig. 12 - Bico cone vazio série X


Fig. 13 - Bico cone vazio série D 



Já no caso de bicos do tipo "leque", o posicionamento dos mesmos em relação à largura do fluxo de grãos na correia transportadora, merece um cuidado especial. Um eventual descuido do operador durante a operação de limpeza de bicos entupidos, pode fazer que o jato de inseticida fique paralelo e não transversal à correia, o que, por certo resultará em faixas de cereal não tratado e, conseqüentemente, na posterior formação, de focos de cereal infestado dentro da massa de grãos armazenados. 

Recomenda-se que os bicos sejam fixados, de maneira que o jato de calda inseticida esteja direcionado no sentido contrário ao movimento da correia, num ângulo máximo de 25º em relação à mesma, a fim de assegurar maior penetração e menor perda do inseticida por deriva.

Quanto à altura dos bicos, como já nos referimentos acima, está em função da largura da faixa de grãos na correia de transporte.


2.2.3 - Calibração dos bicos pulverizadores.

A correta aplicação do inseticida depende, fundamentalmente, da boa calibração do equipamento de pulverização e tem, como ponto de partida, a velocidade e capacidade de transporte da correia, isto é, a carga efetiva de cereal transportado por minuto ou por hora, a qual deve ser mantida, tanto quanto possível, uniforme. E, já que esta cadência pode sofrer oscilações, seja em função da descarga do secador, do fluxo irregular do cereal oriundo das moegas e, ainda, devido a variações da tensão elétrica, o ideal é proceder ao tratamento preventivo durante uma transilagem. Aliás, deve ser evitada a aplicação de inseticidas em grãos recém saídos do secador, pois além da dificuldade de se manter uma cadência uniforme na movimentação dos grãos, devido à descarga irregular dos secadores, há o inconveniente do calor remanescente nos grãos, contribuir para o surgimento de fungos, devido à condensação da umidade e, ainda, à conseqüente degradação do(s) inseticida (s) aplicado(s).

De um modo geral, os operadores da unidade armazenadora conhecem a capacidade de transporte da correia, que é limitada à capacidade nominal do elevador. Uma maneira prática de se avaliar a cadência de transporte, é descarregar na moega, uma carga de grãos com o peso conhecido e, simplesmente, cronometrar o tempo necessário para transferi-la para o armazém e/ou silo.

A calibração dos bicos é feita, inicialmente, com água e com a correia transportadora parada, antes de se iniciar o tratamento. Recomenda-se aplicar entre 1 e 2 litros de calda inseticida por tonelada de grãos.

Colocado o pulverizador em funcionamento, mede-se, com uma proveta graduada, com capacidade de 1 litro (1.000 ml) a vazão de cada bico, durante 1 minuto. Se a vazão for muito grande, pode-se efetuar a leitura em 30 segundos, multiplicando após, por 2.

Caso a vazão seja inferior à desejada, aumenta-se a pressão da bomba do pulverizador. Sendo superior, basta diminuir a pressão. Recomenda-se usar uma pressão entre 30 e 40 libras. Sendo necessário aumentar ou diminuir muito a pressão para se obter a vazão desejada, aconselha-se substituir os bicos por outros de maior ou menor vazão, a fim de possibilitar, sempre, o uso de baixa pressão, a fim de assegurar a formação de gotas médias.

Após o início da operação, já com a calda inseticida preparada, é necessário que se proceda, periodicamente, aferições em cada bico pulverizador. Mesmo depois de certificar-se que a vazão dos bicos se mantém estável, deve-se proceder, no mínimo, à duas aferições diárias.

Desnecessário se torna frisar, que as calibragens da calda inseticida devem ser feitas com o operador usando máscara, com filtro adequado, óculos, luvas impermeáveis e vestimenta apropriada, com mangas compridas.

Os bicos pulverizadores deverão ser continuamente inspecionados durante todo o tempo da aplicação, pois o entupimento de um ou mais bicos pode comprometer seriamente o bom êxito da operação. Também as conexões, emendas das mangueiras, vedações dos filtros, etc., devem ser periodicamente examinadas, a fim de prevenir eventuais vazamentos da calda.

Para se calcular qual a vazão necessária em cada bico, podemos empregar a seguinte fórmula:

Vazão/bico/minuto = Volume de calda (ml/minuto) x cadência da correia(t/hora) 
60 minutos x número de bicos 

Exemplo para escolha de bicos:

- Volume de calda que se deseja aplicar por minuto = 1.000 ml;
- Cadência da correia transportadora: 150 t/hora;
- Número de bicos a instalar: 3;


Vazão/bico/minuto = 1000 ml x 150 t/h = 833,3 ml / bico. 
     60 min x 3

No caso, optou-se pela utilização de bicos 80.02, cuja vazão oscila entre 640 e 750 ml por minuto, com pressão na bomba de 35 a 40 lb/pol².

Exemplo de calibração inicial e/ou durante a aplicação:

Utilizar uma proveta graduada e coletar a calda durante 30 segundos em cada bico.

- bico n.º 1 = 440 ml;
- bico n.º 2 = 460 ml;
- bico n.º 3 = 420 ml.

Total em 30 segundos = 1.320 ml;
Total em 60 segundos = 1.320 X 2 = 2.640 ml.

2.2.4 - Verificação da dosagem de inseticida que está sendo aplicada (ml/t):

ml/t = vazão total dos bicos x dosagem de inseticida desejada/t 
cadência da correia (t/minuto) x volume de calda/t

Exemplo:

- vazão dos 3 bicos = 2.640 ml/minuto;
- dosagem de inseticida desejada = 15 ml/tonelada;
- cadência da correia = 2,5 t/minuto;
- volume da calda por tonelada = 1.000 ml


ml/t = 2.640 ml x 15 ml/t = 15,84 ml/t.
2,5 t x 1000 ml/t

2.2.5 - Fórmula para calcular o total de inseticida a ser adicionado no tanque do pulverizador:

Desejamos, por exemplo, aplicar 1 litro ( 1.000 ml ) de calda, com 15 ml de K-Obiol 25 CE, por tonelada de grãos. A capacidade do tanque é de 600 litros.

Volume de inseticida = capacidade do tanque(ml) x dosagem de inseticida/t 
Volume de calda por tonelada 

Volume de inseticida = 600.000 ml x 15 ml/t = 9.000 ml = 9 litros de K-Obiol 
1.000 ml

2.2.6 - Fórmula para verificação do total de inseticida aplicado: 

TIA = VCA x TIC            onde:
TPT x VCP

TIA = total de inseticida aplicado;
VCA = volume de calda aplicada;
TIC = total de inseticida da calda;
TPT = total do produto tratado;
VCP = volume da calda preparada.

Exemplo:

- volume de calda aplicada: 50 litros ou 50.000 ml;
- total de inseticida da calda: 6 litros ou 6.000 ml;
- total de produto tratado: 130 toneladas;
- volume de calda preparada: 100 litros ou 100.000 ml.

TIA = 50.000 ml x 6.000 ml = 23,08 ml;
130 t x 100.000 ml 

l litro ou 1.000 ml de K-Obiol 25 CE = 25 g de deltamethrina;
23,08 ml de K-Obiol 25 CE = X g

23,08 ml x 25g = 0,58g ou p.p.m.(partes por milhão) pois 1 tonelada = 1.000.000 g.
    1.000 ml

2.2.7 - Recomendações gerais.

É importante lembrar aqui, algumas recomendações básicas, que poderão evitar falhas e/ou insucessos nos tratamentos preventivos com inseticidas líquidos:

Somente deverão ser tratados grãos secos, sãos e limpos.

Não devem ser tratados grãos que já apresentem infestação visível. Neste caso, o produto deve ser previamente expurgado;

Durante toda a operação de tratamento, o nível da calda inseticida deve ser sempre monitorado, a fim de evitar uma eventual falha na aplicação. É oportuno, instalar no tanque, um dispositivo que faz soar um alarme, quando a calda chegar a um nível crítico;

Não deve ser efetuado o tratamento preventivo de grãos recém saídos do secador, pois além da dificuldade de manter uma cadência uniforme na movimentação dos grãos, devido à descarga irregular dos secadores, há o inconveniente do calor remanescente nos grãos, contribuir para o surgimento de fungos, devido à condensação da umidade e à conseqüente degradação do(s) inseticida(s) aplicado(s);

No caso de haver necessidade de tratamento de grãos com umidade superior a 15 ou 16%, deve-se reforçar a dosagem, acrescentando, no mínimo, 10% a mais de ingrediente ativo;

A calda inseticida deve ser imediata e totalmente utilizada durante o mesmo dia. Em hipótese alguma deve ser deixada para aplicações a serem efetuadas no dia seguinte. As eventuais sobras poderão ser empregadas para tratamentos de superfícies;

Ao final do tratamento, o tanque deve ser totalmente esgotado e lavado com água limpa. Em seguida, o pulverizador deve ser acionado por alguns minutos, para lavar internamente as mangueiras e bicos;


2.3 - Aplicações na superfície da massa de grãos em silos e armazéns graneleiros e/ou blocos de sacaria, em armazéns convencionais e sementeiros.

Constitui uma medida complementar indispensável, quando se conclui o tratamento preventivo na esteira de transporte ou, ainda, após a realização de expurgos a base de fosfina, a fim de evitar a reinfestação dos produtos estocados.
O objetivo é recompor a camada superficial de inseticidas, que tende a se degradar por oxidação, em contato direto que está com o meio ambiente. Outrossim, a contínua movimentação dos operadores sobre a massa de grãos, durante os trabalhos de inspeção e coleta de amostras e, ainda, a inevitável deposição de poeira, palhas e de outros grãos que caem durante a movimentação da correia transportadora, justificam e aconselham a adoção deste tratamento de manutenção, que visa criar uma barreira protetora permanente contra a penetração dos insetos invasores.
As pulverizações de superfície devem ser renovadas periodicamente a cada 30 ou 45 dias, principalmente nas regiões e nas épocas mais quentes do ano, quando a atividade dos insetos é mais intensa. 

Também nos armazéns convencionais e/ou sementeiros, as aplicações de superfície nas pilhas e blocos de produtos ensacados, oferecem excelentes resultados. 
O equipamento a ser utilizado, assim como as dosagens de inseticidas a serem aplicadas, são os mesmos relatados nos itens 2.1.1 e 3.1, ou seja, nas aplicações de higienização.

Ao concluir a aplicação, a calda remanescente deve ser totalmente retirada e colocada água limpa no tanque. Em seguida, com a correia parada, acionar o pulverizador por alguns minutos, para lavar as mangueiras e bicos de pulverização.


2.4 - Tratamento espacial (não residual) com termonebulizadores.

O tratamento espacial, como complemento a higienização de silos e armazéns, é uma prática cada vez mais utilizada pelas armazenadoras, moinhos, indústrias de alimentos, etc., pelos bons resultados que apresenta no combate às pragas. 

O tratamento espacial tem como grande mérito, a eliminação dos insetos adultos nos locais inacessíveis à ação dos pulverizadores, como vigamentos e estruturas do telhado, passarelas, etc.. É particularmente indicado no combate às traças, como Sitotroga cerealella, Plodia interpunctela e Corcyra cephalonica.

Considerando que na termonebulização a deposição de inseticidas nas superfícies é praticamente nula, e que os ovos, larvas e pupas não são eliminados neste tratamento, recomenda-se, nas regiões e nos meses mais quentes do ano, quando se nota uma movimentação mais intensa dos insetos, que a operação seja repetida a cada 15 dias. Nos armazéns do extinto IBC - Instituto Brasileiro do Café, por exemplo, era norma obrigatória, a realização de uma termonebulização a cada 7 dias.

A operação é realizada com um gerador de neblina, ou seja, com um termonebulizador (Fig. 14), na dosagem de 80 ml de K-Obiol 25 CE e outro tanto de Sumigran 500 CE, por litro de óleo Oppa, da Petrobrás, ou outro óleo mineral à venda no mercado. Devido ao risco de explosão, não se recomenda o óleo diesel. Cada litro de calda é suficiente para nebulizar 4.000 m³ de armazém. No item 3.2, relacionamos outros inseticidas que podem ser opcionalmente utilizados.




Fig. 14 - Termonebulizador Pulsfog 



O consumo médio de um termonebulizador Pulsfog, de fabricação nacional, é de cerca de 1/2 litro de gasolina e 5 litros de calda inseticida para 20.000 m³. A propósito, é necessário cubar previamente o ambiente a ser nebulizado, a fim de calcular o exato volume de calda inseticida a ser preparada, com base nas informações acima mencionadas.

Ao ligar o termonebulizador, com a alavanca do registro do tanque de calda fechada, deixe o aparelho funcionar por alguns segundos, antes de abri-la. Da mesma forma, antes de desligar o motor, fechar a alavanca do registro da calda, deixando, após, o aparelho funcionar algum tempo. Esta recomendação é importante para evitar que a calda injetada no tubo de escape provoque o incêndio do termonebulizador.

É desnecessário frisar, que o operador deve ser pessoa devidamente treinada e equipada com vestimenta especial, máscara com filtro apropriado, luvas, óculos, etc.. Ademais, deve conhecer todas as recomendações contidas no Manual de Instruções, da PULSFOG.

Antes de iniciar a operação, que deve ser realizada de preferência no final do dia ou, num sábado após o expediente, é importante desligar a chave geral de força e luz, assim como avisar o Corpo de Bombeiros - se existir - a fim de evitar falsos alarmes de incêndio. A termonebulização deve ser iniciada no fundo do armazém e em direção à saída. 

Num prédio de moinho ou numa indústria, devem ser fechadas as portas e janelas e vedado o local, da melhor forma possível. Concluída a operação, após 3 ou 4 horas, o ambiente tratado deve ser arejado.

Quanto ao termonebulizador, concluído o trabalho, o depósito de calda inseticida deve ser totalmente esvaziado e limpo, sendo recomendável fazê-lo funcionar alguns minutos somente com água limpa.


3. Inseticidas a serem utilizados.


É importante lembrar, que os inseticidas a serem utilizados nas pulverizações, devem estar devidamente registrados nos Ministérios da Agricultura e Saúde e, nas Secretarias Estaduais.


3.1 - Inseticidas e dosagens para a higienização de armazéns, silos, e depósitos
para armazenamento de grãos.

Na preparação da calda, deve ser usada água limpa, de preferência filtrada e, com um pH neutro, pois uma alcalinidade elevada poderá desestabilizar o inseticida.

a) - K-Obiol 25 CE: 1,25 a 2 g I.A./100 m², ou seja, 50 a 80 ml/100 m².

Em armazéns "doentes", isto é, com infestações crônicas de insetos tolerantes e/ou resistentes às dosagens normais, recomenda-se a aplicação de 3 a 5 g I.A./100 m², ou seja, 120 a 200 ml/100m².

b) - Sumigran 500 CE: 50 a 100 g I.A./100 m², ou seja, 100 a 200 ml/100 m². 

A ação residual do Sumigran 500 CE nas superfícies tratadas, é de cerca de 12 semanas. Contudo, em ambientes onde existe muita poeira, esta ação residual ficará prejudicada;

Em casos de infestações crônicas, aplicar após a limpeza geral, 100 a 200 g I.A./100 m², ou seja, 200 a 400 ml/100 m² na primeira aplicação e 100 a 200 ml/100 m² como dose de manutenção.

c) - DDVP 500 CE - Action ou DDVP Plus, da Prodelyn: 25 a 50 g I.A./100 m², ou seja: 50 a 100 ml/100 m². 

Em caso de necessidade, a dosagem pode ser aumentada para 50 a 87,5 g I.A./100 m², ou seja, 100 a 175 ml/100 m². 

Em presença de água, o DDVP degrada rapidamente, motivo pelo qual a calda deve ser utilizada imediatamente após a sua preparação.

vd) - DDVP 1000 CE - Nokaut, da Prodelyn: 25 a 50 g I.A./100 m², ou seja, 25 a 50 ml/100².

e) - Dursban 4 E ou Clorsan 500 CE: 25 a 50 g I.A./100 m² ou seja, 50 a 100 ml/100 m².


3.2 - Inseticidas para termonebulização de armazéns, silos, galpões, prédios de
indústrias, depósitos, etc..

a) - 80 ml de K-Obiol 25 CE + 920 ml de Óleo OPPA, para cada 4.000 m³. 

b) - 80 a 100 ml de Sumigran 500 CE + 920 e/ou 900 ml de Óleo OPPA, para cada 4.000 m³.

c) - 80 a 100 ml de Dursban 4 E ou Clorsan 500 CE + 920 ou 900 ml de Óleo OPPA, para cada 4.000 m³.

d) - 75 a 100 ml de DDVP 500 CE da Action ou DDVP Plus da Prodelyn + 925 e/ou 900 ml de Óleo OPPA, para 4.000 m³.

e) - 25 a 50 ml de DDVP 1000 (Nokaut, da Prodelyn + 975 e/ou 900 ml de Óleo OPPA, para 4.000 m³.

Um excelente resultado pode ser obtido com a mistura de 80 ml de K-Obiol 25 CE com 80 a 100 ml de Sumigran 500 CE + 840 ou 820 ml de Óleo OPPA, suficientes para nebulizar 4.000 m³.


4. - Mistura e/ou associação de inseticidas para tratamento de grãos:

Numa massa de grãos, embora possa haver predominância de uma ou outra espécie de insetos, podemos encontrar insetos tolerantes ou mesmo resistentes a determinado inseticida. Daí, a necessidade de utilizar um inseticida organofosforado em mistura com um inseticida piretróide.

Segundo a "Coletânea 2 - Termos e ou Expressões em Armazenamento", elaborada na década de 1970, pelo Eng. Agr. Ernani Miranda Martinelli, por mistura, entende-se a união, em proporções indefinidas e sem combinação química, de corpos que conservam as suas propriedades específicas, sem alteração de suas moléculas. Assim, na mistura de inseticidas, seus ingredientes ativos e respectivas proporções, podem ser facilmente identificadas através de uma análise química.

Estudos realizados pelos pesquisadores J.M. Pochon, J. Duguet e V. Dartigues, da Roussel Uclaf, em 1987, na França, concluíram que, na formulação de 15 ml de K-Obiol 25 CE com 15 ml de Sumigran 500 CE, a mistura mostrou-se 2 vezes mais eficiente que o K-Obiol sozinho e 4 a 5 vezes maior que o Sumigran aplicado isoladamente.

No que se refere aos residuais, se considerarmos que a nossa legislação (Portaria SNVS n° 10, de 08.03.85) permite um residual nos alimentos de 1 ppm de deltamethrin e de 10 ppm de fenitrothion e, que a aplicação de 15 ml de K-Obiol 25 CE e 15 ml de Sumigran 500 CE por tonelada de grãos, equivalem, respectivamente, a um residual de 0,375 ppm de deltamethrin e 7,5 ppm de fenitrothion, não há o que temer, já que os referidos residuais são, portanto, bem inferiores aos permitidos pela legislação vigente no Brasil.

A decisão de utilizar ou não misturas de tanque, deve ser tomada pelo técnico responsável, após a segura identificação das pragas existentes e de uma criteriosa avaliação das condições de trabalho do pessoal encarregado das aplicações. Se estas condições forem aceitáveis e se realmente for necessário utilizar misturas em tanque, deve-se ainda, insistir sobre a absoluta observação das medidas de segurança cabíveis, como a utilização de máscaras, luvas, óculos, roupas especiais, calçados, etc., e, sobretudo, treinar e conscientizar os aplicadores, informando-os que as misturas são mais tóxicas que os produtos utilizados separadamente.

Em nosso entender, se forem sempre tomados os cuidados recomendados e necessários e, ainda, observadas as disposições legais - existência de um técnico responsável, emissão do Receituário Agronômico, utilização dos EPIs, etc. - os riscos operacionais são idênticos, tanto para a utilização das misturas, como para os produtos inseticidas aplicados isoladamente.

Assim, a nossa recomendação para o tratamento de grãos armazenados, em regiões em que ocorrem infestações simultâneas de Rhyzopertha dominica e Sitophilus sp, é de:

14 a 20 ml de Sumigran 500 CE + 14 a 20 ml de K-Obiol 25 CE por tonelada de grãos.

A maior ou menor dosagem a ser aplicada, depende do grau de infestação e, principalmente, do tempo que se pretenda armazenar os grãos. Assim, para armazenamento até seis meses, recomenda-se aplicar uma mistura de 15 ml de K-Obiol 25 CE + 15 ml de Sumigran 500 CE por tonelada de grãos. Para períodos de armazenamento superior a seis meses, deve-se utilizar dosagens de até 20 ml de K-Obiol 25 CE + 20 ml de Sumigran 500 CE, por tonelada de grãos.

Quanto ao volume da calda - preparada de acordo com o item 2.2.5 - recomendamos aplicar entre 1 e 2 litros por tonelada de grãos. Parece-nos importante lembrar aqui, que no preparo da calda deve ser utilizada água limpa, devidamente filtrada e de baixa alcalinidade.

Para a "selagem", ou seja, aplicação na superfície da massa de grãos após o enchimento do armazém e/ou silo ou, após a conclusão de um expurgo com fosfina, recomenda-se aplicar 80 a 100 ml de Sumigran 500 CE + 50 a 80 ml de K-Obiol 25 CE por 100 m².


5. - Mistura para tratamento de sementes: 

60 a 80 ml de Sumigran 500 CE + 60 a 80 ml de K-Obiol 25 CE, por tonelada.

Esta dosagem pode ser substancialmente reduzida de acordo com o tempo de armazenamento que se deseja.


6. - Misturas para higienização de armazéns, silos, instalações de moinhos, prédios
de indústrias alimentícias, etc.:

a) - 50 a 80 ml de K-Obiol 25 CE + 80 a 100 ml de Sumigran 500 CE por 100 m²;

b) - 80 a 100 ml de DDVP 500 CE + 50 a 80 ml de K-Obiol 25 CE por 100 m².

O volume da calda a ser aplicada depende da vazão do bico do pulverizador e da cadência de trabalho do operador, variando entre 6 e 9 litros por 100 metros quadrados. Para calcular com maior exatidão, é recomendável que, inicialmente, se faça o operador testar o pulverizador a ser utilizado, de acordo com o próprio ritmo de aplicação, utilizando apenas água, numa superfície demarcada de 10 x 10 metros, como se menciona no item 2.1.1.


7. Tratamentos curativos.

Os tratamentos curativos são realizados a partir da constatação de uma visível infestação na massa de grãos. Na prática, recomenda-se o expurgo quando a infestação for superior a 7% dos grãos armazenados.


7.1 - Expurgo.

Consiste na exposição dos grãos infestados por insetos, à ação de um inseticida fumigante, num ambiente confinado. 

Os produtos atualmente utilizados nos expurgos são: o fosfeto de alumínio (Gastoxin, da Casa Bernardo, e Aluphós, da Bayer) e, o fosfeto de magnésio (Fermag, da Fersol). Em alguns casos, é ainda utilizado o brometo de metila, um poderoso fumigante que, infelizmente, está em desuso, por atacar a camada de ozônio do nosso planeta e que deverá ser totalmente banido até o ano de 2005. 

Tecnicamente, seria desejável, a realização de um expurgo à base de fosfina, logo após o recebimento do cereal, já que possivelmente, muitos grãos poderão estar infestados a partir da própria lavoura.

A propósito, parece-nos importante lembrar que, segundo Lepage et Gonçalves, em trabalho publicado em 1939, um único casal de Sitophilus orysae, terá produzido, ao final da quinta geração, um total de 1.340.000 novos exemplares. E, sabemos que a cada vinte e poucos dias, dependendo das condições de umidade e da temperatura do cereal, surge uma nova geração de insetos.

Considerando que as formas imaturas, especialmente os ovos e pupas apresentam uma maior resistência a fosfina, é sempre recomendável efetuar um segundo expurgo uns 10 a 15 dias após o primeiro, ocasião em que as formas imaturas que sobreviveram ao primeiro expurgo, já terão evoluído.

O sucesso de um bom expurgo está condicionado a quatro fatores básicos:


7.1.1 - Vedação.

No Brasil, lamentavelmente, a grande maioria dos nossos armazéns e silos - principalmente os metálicos - não apresentam condições que ofereçam uma suficiente hermeticidade e/ou operacionalidade para a realização de expurgos a base de fosfina, com a eficiência que se poderia desejar.

Os armazéns graneleiros foram concebidos e construídos a partir da década de 1960, visando apenas a coleta e beneficiamento das safras, que deveriam permanecer nos mesmos, no máximo, uns 3 ou 4 meses, ou, o tempo necessário para a transferência dos produtos para as indústrias e armazéns intermediários e/ou terminais. Sendo, portanto, poucas as unidades armazenadoras que oferecem condições ideais de vedação, nos armazéns graneleiros e armazéns convencionais, uma hermeticidade relativa pode ser obtida com a utilização de lonas plásticas e/ou papel kraft betuminado. 

Existem no mercado, as lonas marca Lonex, fabricadas pela ITAP-BEMIS, composta por doze camadas de polietileno, com peso de 105 g/m² e, as lonas de PVC confeccionadas pela SPANDEX, com peso superior a 200 g/m². Ambas oferecem a necessária impermeabilidade a fosfina. Entretanto, as lonas de polietileno, por serem mais leves, são mais fáceis de manejar e duram mais, pois são mais resistentes a rasgos.

Temos observado, mormente em algumas cerealistas, a utilização de lonas pretas. Por serem fabricadas à base de plásticos reciclados, não oferecem as condições de hermeticidade necessárias, motivo pelo qual é desaconselhado o seu uso. Também pelo mesmo motivo, as lonas para cobertura de caminhões (encerados) não são recomendadas. Outrossim, especial atenção deve ser dada à utilização de lonas em mau estado de conservação, isto é, rotas, furadas e/ou rasgadas.

Na década de 1970, era comum - principalmente nos armazéns do Rio Grande do Sul - a utilização de papel kraft betuminado, que era colado com silicato de sódio, o que conferia ao mesmo, uma excelente hermeticidade. Infelizmente, o sistema era demorado e oneroso, o que contribuiu para a sua substituição pelas lonas plásticas.

Durante os trabalhos de expurgo, os eventuais vazamentos de fosfina podem ser localizados com a utilização de tiras de papel de filtro tipo coador de café, embebidas com algumas gotas de solução de nitrato de prata a 10%. Na presença do gás, a tira escurece. Quanto mais escura ficar, maior a concentração de fosfina. 

Na vedação de bocas de descarga, tubos de aeração, janelas de inspeção, túneis de armazéns e silos, etc., a utilização de pedaços de lonas de expurgo, fixadas com fitas adesivas de plástico, oferecem um excelente resultado. Tiras de lonas plásticas, com 30 a 40 cm de largura, coladas na parte superior, ao longo das bordas das paredes internas dos armazéns graneleiros, possibilitam o fechamento das lonas plásticas para expurgo, com fitas adesivas plásticas, de 5 a 6 cm de largura, o que resulta numa perfeita vedação.

Nos armazéns graneleiros, os módulos das lonas devem ser previamente estendidas na superfície da massa de grãos, parcialmente enrolados. À medida que a equipe encarregada da aplicação das pastilhas e/ou comprimidos de fosfina for se adiantando, os módulos serão fechados com os velcros, pela equipe para tal escalada. Junto aos cabos de termometria, a vedação é completada, também com fita adesiva de plástico, com 5 a 6 cm de largura. A propósito, no enchimento do armazém, é necessário cuidar para que os cabos de termometria fiquem perfeitamente alinhados. Do contrário, poderá haver dificuldade no fechamento das lonas.


7.1.2 - Dosagens.

As recomendações dos fabricantes, contidas nas bulas que acompanham os frascos de fosfina, oscilam entre 1 e 3 g de ingrediente ativo por m³, ou seja, 1 a 3 pastilhas de 3 g ou, 5 a 15 comprimidos de 0,6 g/m³. Cada pastilha de 3 g (ou o equivalente de 5 comprimidos de 0,6 g), libera 1 g de fosfina.

Esta variação de dosagens está condicionada a fatores diversos, tais como o grau de infestação do produto, ao estagio de desenvolvimento dos insetos (ovos e pupas são fases de difícil controle), à umidade dos grãos, à temperatura ambiente, à perfeita vedação do local a ser expurgado, etc.. Todavia, é importante lembrar, que tanto as subdosagens como as superdosagens são indesejáveis.

Para calcular a dosagem total a ser aplicada, é necessário que se efetue previamente, a cubagem do ambiente a ser fumigado. Num bloco de produto ensacado, por exemplo, basta multiplicar a largura pelo comprimento e pela altura, para se obter a metragem cúbica. Já em silos verticais, é necessário maior conhecimento matemático para a aplicação de fórmulas específicas. O importante, é que a determinação da metragem cúbica a ser fumigada seja exata, pois grande parte de insucessos nos expurgos, pode ser atribuída a erros de cálculo, seja na cubagem da área, seja no número de pastilhas e/ou comprimidos a serem aplicados. Por isso, convém sempre, conferir e revisar os cálculos.

Em armazéns graneleiros, para maior facilidade, é oportuno organizar um gráfico da superfície da massa de grãos, calculando-se, com base no total de pastilhas e/ou comprimidos necessários, o número de pontos de aplicação e quantas pastilhas e/ou comprimidos deverão ser introduzidos em cada um desses pontos. O ideal, é que a distância entre os pontos de aplicação não seja superior a dois metros. Recomenda-se aplicar 90% da fosfina na parte superior e 10% nas válvulas de descarga e dutos de aeração. É bom lembrar, que a aeração nunca deve ser ligada durante o expurgo. E mais: as chaves de energia elétrica devem ficar desligadas durante a operação. 

É necessário, que o ambiente a ser fumigado fique totalmente saturado com fosfina, durante todo o tempo de exposição, numa concentração mínima de 400 ppm de fosfina. Assim, por exemplo, num silo com capacidade para 1.000 toneladas, que esteja com apenas 500 toneladas de produto estocado, o cálculo da dosagem de fosfina deve incluir, também, a área vazia do silo. Nos armazéns graneleiros, também os túneis - cujas bocas deverão também ser devidamente vedadas - devem ser incluídos no cálculo da dosagem a ser aplicada. 

Para se alcançar pleno sucesso na realização de um expurgo, é necessário que a concentração de fosfina seja monitorada durante todo o tempo de exposição. A perda de concentração de fosfina, não deve ser maior que 100 ppm por dia e, como já mencionamos acima, nunca deve ser inferior a 400 p.p.m.. 

Contudo, o monitoramento da concentração da fosfina é uma medida que dificilmente se pratica em nosso país, o que explica o grande número de insucessos nos expurgos e o surgimento de raças de insetos resistentes ao referido fumigante. 

A medição é feita com equipamento especial, ou seja, com uma bomba de sucção, na qual se acopla um tubete (Fig. 15), contendo uma substância química que detecta e quantifica a concentração da fosfina.




Fig. 15 - Bomba e tubete para medição de fosfina


Na preparação do ambiente a ser expurgado, são colocadas mangueiras plásticas para captar o gás em diversas alturas do perfil interno da massa de grãos. Cada ponta das extremidades externas, deve permanecer fechada e somente aberta no momento de colocar a bomba com o tubete, para a medição da concentração de fosfina. 

A distribuição das pastilhas e/ou comprimidos na massa de grãos deve ser uniforme, devendo ser evitada a concentração do fumigante num mesmo ponto, pois o pó resultante da decomposição das pastilhas e/ou comprimidos localizados na periferia, irá cobrir as demais, impedindo, assim, o acesso da umidade do ambiente às mesmas, bloqueando, conseqüentemente, a liberação do gás.

Os frascos de fosfina devem ser abertos fora do ambiente a ser expurgado e, novamente fechados com a tampa, levados imediatamente para o local de aplicação.


7.1.3 - Tempo de exposição.

Até 1986, a recomendação era de 48 a 72 horas no máximo. Entretanto, os estudos efetuados na época, pela Seção de Armazenamento do Instituto de Tecnologia de Alimentos - Ital, sobre a presença de resistência de insetos à fosfina, em nosso país, levaram a pesquisadora daquele órgão, Dra. Maria Regina Sartori, a emitir uma "Nota de Alerta", em a qual vetava o aumento das dosagens de fosfina recomendando como solução ao problema de resistência constatado, o aumento do período de exposição dos insetos ao fumigante para, no mínimo, 120 horas.

Alguns técnicos vinculam o tempo de exposição à umidade relativa do ar (UR) e adotam o seguinte critério:

72 horas de exposição, quando a UR for superior a 50%;

96 horas de exposição, quando a UR estiver entre 40 e 50%;

120 horas de exposição para UR entre 25 e 40%


Quando a umidade relativa do ar estiver abaixo de 25%, desaconselha-se o expurgo.
Esta última recomendação é importante para a região Centro-oeste e do cerrado em geral, onde a umidade relativa do ar é sabidamente baixa em determinadas épocas do ano. Quanto às demais, parece-nos recomendável seguir a orientação do ITAL, isto é, adotar o tempo de exposição mínimo de 120 horas.

Aliás, normalmente, dependendo do produto a ser fumigado - farinhas, fumo, algodão em pluma, por exemplo - o tempo de exposição deve ser prolongado até 240 horas. 


7.1.3 - Temperatura e umidade.

Em nosso país, normalmente as temperaturas são favoráveis ã realização de expurgos. Entretanto, em algumas regiões do sul, durante o inverno, quando a temperatura for inferior a 15ºC, não se deve efetuar expurgos, pois não haverá a liberação da fosfina em tempo hábil.

Quanto maior for a temperatura ambiente e a umidade relativa do ar, mais rápida será a liberação da fosfina.

Por outro lado, também deve ser evitado o expurgo, quando na massa de grãos forem constatados "bolsões" com temperatura elevada e alto percentual de umidade. A concentração de fosfina nesses locais, pode resultar em combustão espontânea e, mesmo, explosão. Embora raras, ao longo de nossa vida profissional, tivemos conhecimento de várias ocorrências desse tipo.


7.2 - Expurgos em silos e armazéns graneleiros.

O expurgo deve ser precedido de uma fase preparatória, durante a qual o técnico responsável deverá se inteirar de uma série de dados, a saber:

Verificar o tipo da unidade armazenadora, a limpeza, o grau de infestação, tipos de pragas existentes, a temperatura e a umidade dos grãos, determinando o volume do produto a ser expurgado;

Verificar se o produto não está compactado. Caso positivo, aconselha-se efetuar uma transilagem, para permitir uma melhor penetração e circulação da fosfina na massa de grãos;

Quando os grãos apresentarem um elevado percentual de impurezas, como poeira, palhas, etc., torna-se necessário passar o produto na máquina de limpeza; 

Verificar se existem recintos habitados nas proximidades do silo e/ou armazém, circulação de pessoas estranhas, etc.;

Examinar as lonas plásticas disponíveis, promovendo eventuais reparos;

Levantar os pontos críticos de vazamento do gás e possibilidades de uma boa vedação da unidade armazenadora;

Examinar os equipamentos de segurança (EPI's) disponíveis, conferindo, inclusive, a data de validade dos filtros das máscaras;

Definir a dosagem a ser utilizada, data do trabalho e necessidade de pessoal com treinamento;

Fiscalizar e conferir a eficiência das vedações realizadas;

Providenciar avisos de advertência e requisitar o volume de inseticidas necessários, papel de filtro, solução de nitrato de prata a 10% (para detectar eventuais vazamentos de fosfina), e fitas adesivas de plástico; 

Reunir o pessoal escalado, esclarecendo dúvidas, definindo e preparando as equipes encarregadas de cada fase da operação, como colocação das pastilhas e/ou comprimidos, fechamento e vedação das lonas, revisão dos pontos de escape do gás, etc.;

Antes de se iniciar a operação, a área a ser expurgada deve ser isolada e sinalizada, vedando-se a presença e circulação de pessoas estranhas à operação. 


7.3 - Expurgos em armazéns e depósitos convencionais.

Nos armazéns e depósitos convencionais, os produtos são movimentados manualmente e, em alguns deles, com o auxílio das chamadas "dalas", um sistema de esteira-sem-fim, que funciona num plano inclinado, com altura regulável.

Os blocos de produtos acondicionados em sacarias são dispostos em quadras, com áreas geralmente numeradas, para a identificação dos lotes de mercadorias.

As recomendações sobre o controle de insetos, são as mesmas dos armazéns e silos. Já o monitoramento é feito com o uso de caladores manuais, com os quais os sacos são furados, para a coleta de amostras dos produtos.

Identificados os insetos infestantes e definida a necessidade de expurgar determinado lote de grãos e/ou outros produtos acondicionados em sacarias e/ou fardos, deve ser efetuada, inicialmente, uma limpeza superficial dos blocos, com remoção de toda a poeira e outros detritos acumulados sobre os mesmos. A utilização de aspiradores e/ou ar comprimido, facilita bastante a operação. A seguir, é necessário cubar os blocos a expurgar e, em função do grau de infestação, definir a dosagem a ser aplicada.

A vedação dos blocos é feita com lonas plásticas, que são fechadas na base, com cobras de areia, ou coladas no piso, que deve estar bem nivelado e sem rachaduras. Para facilitar esta vedação, é aconselhável colar tiras de papel "Kraft ", de preferência betuminado, em torno do bloco. Sobre estas tiras, é que são fixadas as bordas inferiores das lonas, com fitas adesivas com 5 a 6 cm de largura. O sistema possibilita uma vedação perfeita.

A colocação das pastilhas e/ou comprimidos de fosfina é feita sob as lonas plásticas. Um método bastante prático, é a utilização de embalagens de ovos, que facilitam, posteriormente, a remoção dos resíduos de fosfina, os quais deverão ser eliminados da maneira relatada no item 7.4.

Os avisos de advertência devem ser fixados sobre os blocos em expurgo. Embora aconselhável, dificilmente os armazéns e depósitos convencionais são evacuados durante os expurgos de blocos de produtos. A única providência adotada é manter as portas abertas.

Após a retirada das lonas de vedação, deve ser efetuada uma pulverização de inseticidas residuais na superfície da sacaria expurgada. Esta pulverização deve ser iniciada na parte superior dos blocos e de cima para baixo. Após, é completada de baixo para cima. 

No mais, os tratamentos periódicos são os mesmos recomendados para os armazéns e silos.


7.4 - Recomendações gerais.

O bom êxito de um expurgo depende muito da porosidade da massa de grãos. No milho limpo e bem conservado, por exemplo, os espaços intergrãos são elevados, o que facilita a livre circulação do gás. Entretanto, quando se tem uma massa de grãos compactados ou com elevado percentual de poeira, grãos quebrados e matérias estranhas, a porosidade fica totalmente comprometida, dificultando, assim, a penetração e circulação da fosfina.

Quando se pretende expurgar o produto durante o carregamento de um silo vertical, antes de iniciar a fumigação, é necessário vedar a boca de descarga, assim como todas as fendas, tubulações dos cabos de termometria e dutos de aeração, exceção feita à boca de carregamento. Durante a operação, se a unidade não estiver equipada com dosador automático, é necessário também, calcular o número de pastilhas e/ou comprimidos e a freqüência com que devem ser adicionadas manualmente, sobre a correia ou boca de carregamento, de acordo com fluxo do cereal.

Concluída a operação, se o silo tiver boa vedação na parte superior, basta vedar a boca de carregamento. Do contrário, é necessário vedar com lona plástica, toda a superfície do produto armazenado, dando-se maior atenção à vedação junto à parede do silo, onde se deve empregar cobras de areia ou, de preferência, colar a lona plástica na parede.

Desaconselha-se o expurgo, com adição de fosfina durante o carregamento, em silos que demoram mais de oito horas para carregar. Neste caso e, em armazéns graneleiros, a introdução das pastilhas e/ou comprimidos é feita com o auxílio de sondas de metal e/ou plástico, com diâmetro suficiente para não "embuchar" o fumigante e dotados de uma ponteira, para facilitar a introdução na massa de grãos. Esta ponteira (Fig. 16), deverá ser fixada à sonda, com uma corrente (Fig. 17), que servirá, inclusive, durante a retirada da mesma, para evitar a aglomeração das pastilhas e/ou comprimidos na massa de grãos.

A operação exige um bom treinamento dos operadores, pois terá que ser executada rapidamente, antes que o desprendimento da fosfina atinja níveis perigosos. A concentração máxima admitida no ambiente durante a aplicação do fumigante, não pode ser superior a 0,3 ppm. De qualquer forma, é sempre necessário o uso de máscara com viseira e filtro especial para fosfina.

Fig. 16 - Ponteira adaptada na sonda

Fig. 17 - Corrente para fixar a ponteira


Sempre que possível, é aconselhável aplicar a fosfina também na parte inferior dos silos e armazéns graneleiros. Para tanto, algumas armazenadoras mandam instalar, nas bocas de descarga, uma chapa metálica tipo gaveta, para reter a massa de grãos quando a válvula estiver aberta, o que permite a colocação das pastilhas de fosfina, dentro de um saco. Após, basta fechar a válvula e retirar a chapa metálica.

Concluída a operação, deverão ser colocados avisos de advertência, contendo em cor vermelha, as palavras "PERIGO - GÁS VENENOSO", assim como o nome do produto utilizado, dosagem, data e hora do expurgo, data e hora de retirada das lonas e, o nome e telefone do técnico responsável.

Decorrido o tempo de exposição requerido, procede-se à retirada das lonas de vedação e à abertura de portas e janelas, deixando o ambiente ventilar no mínimo umas quatro horas. Se houver aeração, deve ser ligada. Nesta operação, é necessário cuidado e o uso de máscaras.

O pó resultante da decomposição dos comprimidos e/ou pastilhas, não oferece maior perigo, pois é constituído por hidróxido de alumínio e/ou hidróxido de magnésio - substâncias usadas na indústria farmacêutica como antiácidos estomacais. O perigo, reside nos grânulos não totalmente decompostos que restam no meio desse pó e que ainda liberam fosfina. Isto não ocorre com o fosfeto de magnésio que, por isso, apresenta, além do mais, a vantagem extra de liberar entre 2 e 5% a mais, de fosfina.

Para evitar a inconveniente exposição aos resíduos de pó que ainda liberam fosfina, recomenda-se quando possível a sua remoção, neutralizá-los num tambor com 2/3 de água, à qual de acrescentou detergente. 

Como a fosfina não tem nenhum poder residual, quando o ambiente estiver totalmente livre do gás, é necessário aplicar sobre a superfície da massa de grãos, uma pulverização com uma mistura de 50 a 80 ml de K-Obiol 25 CE (inseticida piretróide) com 80 a 100 ml de Sumigran 500 CE (organofosforado), para cada 100 m² da área. Esta aplicação deverá ser repetida a cada 30 ou 40 dias, nas épocas mais quentes do ano, quando a atividade dos insetos é maior. Esta aplicação deve ser suspensa no mínimo 30 dias antes do produto ser embarcado para consumo.

Também mensalmente, é recomendável aplicar 10 a 15 gramas de fosfina, envolvidas num pedaço de sacaria, nos dutos de aeração, sem ligar o dispositivo. 

A fosfina é um produto altamente tóxico e por isso seu uso deve ser feito com todo cuidado. O técnico responsável deve ler atentamente a bula que acompanha o produto e tomar todas as precauções preconizadas na mesma.

Especial cuidado deve ser tomado com os túneis durante e depois dos expurgos. Antes de qualquer pessoa entrar, é necessário medir a concentração de fosfina, com um detector de gás. O operador deverá estar devidamente protegido com máscara. 

Já registramos diversos casos de morte de operários que, inadvertidamente, entraram num túnel de armazém recém expurgado. No oeste do Paraná, por exemplo, foi expurgado na moega, uma carga de milho bastante infestado. O gás se infiltrou para o túnel e acabou vitimando um operário e o próprio gerente da unidade armazenadora, que foi socorrê-lo. Duas mortes motivadas pela falta de atenção e treinamento...

Finalizando, parece-nos importante lembrar, que em decorrência do art. 29, do Decreto n.º 98.816, de 11.01.90, que regulamentou a Lei n.º 7.802, de 11.07.89, as aplicações de agrotóxicos, seus componentes e afins, somente podem ser realizadas por pessoas físicas e jurídicas prestadoras de serviços, devidamente registradas nos órgãos competentes do Estado, do Distrito Federal ou do Município, com a assistência e responsabilidade efetiva de técnico legalmente habilitado junto ao Conselho da respectiva profissão.


8. Inspeções periódicas e monitoramento através de amostragens.

Para manter uma unidade armazenadora ou indústria de alimentos livre de insetos, é imprescindível um contínuo monitoramento das instalações, depósitos, galpões, silos e armazéns existentes. Em especial, a massa de grãos estocados deve ser permanentemente vigiada durante todo o período de armazenamento

As paredes e pisos devem ser continuamente observados, a fim de verificar a movimentação de eventuais insetos. Veículos de transporte deverão também ser examinados, na busca de possíveis focos de infestação.

A coleta de amostras deve ser, no mínimo quinzenal, principalmente nos meses e nas regiões mais quentes. A operação deve ser realizada na superfície da massa de grãos, nas válvulas e dutos de descarga, na correia transportadora, durante as transilagens e na carga e descarga de caminhões e/ou vagões. 

O material necessário compreende calador duplo, com comprimento de no mínimo 1,20 metro, sondas, peneiras (1,5 x 20 ou 22 mm), baldes de 10 litros, saquinhos plásticos, papel e caneta para anotações. O laboratório de classificação deve estar equipado com um homogeneizador de amostras.

Nos armazéns graneleiros, principalmente nos de grande capacidade, é recomendável efetuar um "croquis" da superfície da massa de grãos no armazém, tomando-se como referencia os arcos da cobertura, os quais, para um melhor controle, devem ser numerados. Assim, a cada amostragem, é possível uma variação dos locais de coleta, isto é, numa quinzena retira-se amostras ao longo dos arcos pares e, na quinzena seguinte, ao longo dos arcos impares. O mesmo critério pode ser adotado para as amostragens nas válvulas de descarga localizadas no túnel.

As amostras retiradas com caladores duplos, oferecem a vantagem adicional de permitir a verificação da profundidade das infestações. Para tanto, basta que, ao retirar o calador da massa de grãos, com os orifícios fechados, o mesmo seja colocado sobre uma mesa, na posição horizontal, com as aberturas voltadas para baixo. Após, basta girar a parte interna cuidadosamente, abrindo os orifícios e, depositando assim, os grãos retirados ao longo do perfil vertical, sobre a mesa.

Como mencionamos acima, se a operação for feita com uma certa agilidade, possibilita verificar a profundidade atingida pela infestação, que, como é sabido, geralmente se inicia a partir da superfície da massa de grãos. Este detalhe é importante quando, no decorrer do armazenamento, há necessidade de decidir, por exemplo, sobre a realização ou não de um expurgo.

A propósito, a constatação de uma reinfestação num armazém anteriormente expurgado, pode revelar se o expurgo anterior foi ou não, bem sucedido. Se esta reinfestação for periférica, o expurgo foi bem sucedido. Ao contrário, se a reinfestação se localizar no interior da massa de grãos, é certo que o expurgo foi mal feito.

Nas amostragens, devem também ser verificadas a temperatura e a umidade da massa de grãos, mormente nas unidades armazenadoras que não possuam termometria e aeração.

Eventuais bolsas de calor resultantes de ataque de insetos em armazéns graneleiros, podem ser reduzidas com uma transilagem localizada, durante a qual se faz a aplicação de fosfina. 

Através do monitoramento, identificação dos insetos e grau de infestação, é possível tomar as decisões sobre os inseticidas a serem utilizados e a época mais apropriada para aplicá-los.


9. Níveis de infestação:

No Brasil, infelizmente não conhecemos estudos mais aprofundados sobre o assunto. De um modo geral, recomenda-se efetuar o tratamento preventivo na ocasião do recebimento dos grãos. Dependendo da intensidade da infestação, procede-se a um expurgo. 

À época do extinto CTRIN, do Banco do Brasil S/A, adotava-se a seguinte norma:

Infestação baixa: até 6 insetos por amostra de 1 kg;

Infestação média: até 15 insetos por amostra de 1 kg;

Infestação alta: acima de 25 insetos por amostra de 1 kg.


A partir da constatação de uma infestação média, autorizava-se o expurgo do produto.

Em nossa visita a China, em 1998, onde participamos do "7th International Working Conference on Stored-product Protection", tivemos a oportunidade de assistir uma palestra, onde foi apresentado o seguinte critério:

1. Não infestado: média de 2 insetos por kg de produto amostrado;

2. Infestação inicial: média de 10 insetos por kg;

3. Infestação séria: 10 a 30 insetos por kg;

4. Infestação perigosa: mais de 30 insetos por kg de amostra.


Com base nos referidos critérios, são adotadas naquele país, as seguintes decisões de tratamento:

1. Em caso de grãos com infestação inicial, se a temperatura da massa de grãos for inferior a 15ºC, o produto não é tratado;

2. Se a temperatura for superior a 15ºC, o produto deve ser tratado dentro dos próximos 15 dias;

3. Infestação séria deve ser tratada dentro dos próximos 7 dias;

4. Infestação perigosa deve ser tratada dentro de 3 dias.


Com relação ao monitoramento, quando a temperatura da massa de grãos for baixa, ou seja, inferior a 15ºC, a inspeção deve ser feita no mínimo a cada 30 dias; com temperatura alta, é necessário inspecionar semanalmente.

Em caso de infestação perigosa, a inspeção deve ser feita a cada 2 ou 3 dias de intervalo, prazo em que se procederá a um expurgo, para eliminar os insetos em tempo hábil.


10. Tempo de eficiência e/ou persistência residual.

Segundo estudos de Noble et Alii, a persistência residual e/ou tempo de eficiência de um inseticida, tem muito a ver com a temperatura de estocagem e a umidade contida nos grãos armazenados. Em um de seus trabalhos, foram tratados lotes de trigo com 20 ml de K-Obiol 25 CE (0,50 p.p.m.), sendo alguns com 12% e outros, com 15% de umidade.

Os lotes de trigo com 12% de umidade foram armazenados num ambiente com temperatura controlada, de 25ºC, enquanto os lotes com 15% de umidade, foram conservados num ambiente com uma temperatura constante de 35ºC. O resultado do experimento foi redundante: nos lotes de trigo com 12% de umidade armazenados num ambiente com 25ºC, o inseticida se conservou ativo durante 26 meses. Já nos lotes com 15% de umidade conservados numa temperatura ambiente com 35ºC, o inseticida teve uma persistência residual de apenas 8 meses. Isto nos leva à conclusão de que tanto a umidade como a temperatura dos grãos durante o processo de armazenamento, devem ser mantidas o quanto mais baixas possíveis. 


11. Combate aos ratos.

Os ratos são, indiscutivelmente, um dos maiores inimigos do ser humano. Comem a cada dia, o equivalente a 10% de seu peso. Consomem e estragam mensalmente, milhões de toneladas de alimentos. E, além do mais, transmitem inúmeras doenças ao homem, algumas das quais mortais, como a leptospirose, a peste bubônica, o tifo, a raiva, a salmonelose, a febre aftosa e, ainda, vários ectoparasitas, como pulgas, piolhos e carrapatos. Na Idade Média, quase dizimaram a população da Europa. 

São também responsáveis por grandes prejuízos econômicos, contaminando, através dos pêlos, fezes e urina, dez vezes mais alimentos, que os consumidos. Além do mais, danificam portas, paredes e janelas de madeira, instalações elétricas e telefônicas, ocasionando inclusive, incêndios, ao roer o isolamento de fios elétricos.

São três, as espécies de ratos: a ratazana (Rattus norvegicus), o rato de telhado, também conhecido como rato preto (Rattus rattus) e o camundongo (Mus musculus).

A ratazana mora, de preferência, perto da água e faz suas tocas e ninheiras na terra, a uns 30 cm de profundidade, junto às paredes e muros, vivendo também, em galerias de esgotos e de águas pluviais. É desconfiado com objetos novos e tem hábitos noturnos. 

O rato preto ou de telhado, é menor que a ratazana. Faz o ninho acima da superfície do solo, preferindo sótãos, forros, árvores e as partes elevadas das construções. Pode saltar até 1,50 metro de altura e cerca de 2 metros para frente.

Já os camundongos habitam o interior das casas, fazendo ninhos em armários, gavetas, forrações de poltronas, despensas e compartimentos de pouco uso.

Os ratos são quase cegos, motivo pelo qual se movimentam ao longo das paredes, muros e outros obstáculos. No entanto, percebem formas e movimentos até 10 metros de distância, mas não distinguem cores.

Segundo a Organização Mundial da Saúde - OMS, um casal de ratos pode gerar cerca de 10.000 novos indivíduos por ano. O período de gestação da ratazana e do rato de telhado é de 22 dias, enquanto que o do camundongo, é de apenas 19 dias.

As ninhadas variam de 5 a 12 filhotes para as ratazanas, de 6 a 10 para o rato preto e de 5 a 6 para o camundongo.

Como no caso dos insetos, no combate aos ratos, as medidas preventivas são decisivas. Remoção de restos de alimentos, entulhos, amontoados de madeiras e/ou outros materiais e da vegetação que possa abrigá-los, cimentar frestas e buracos dos pisos, fechar vãos e aberturas nas paredes, uso de estrados altos nos armazéns, etc., são algumas das medidas preventivas que devem ser adotadas.

Nas unidades armazenadoras de grãos, onde o alimento é abundante, o combate aos ratos exige uma estratégia diferenciada, fundamentada nos hábitos desses roedores. Os ratos por índole, são comodistas, preferindo não se afastar muito do local onde vivem. 

Assim, a técnica consiste em fazer uma inspeção minuciosa e detalhada na periferia da unidade armazenadora, para localizar onde se reproduzem, por onde transitam, seus caminhos e trilhas. etc.. Após, devem ser colocadas, sempre o mais próximo possível de seus ninhos e tocas, caixas-comedouros de plástico (Fig. 18), também chamadas porta-iscas, com raticidas - de preferência blocos resinados - de dose única (Fig. 19). Dentro dessas caixas, que somente podem ser abertas com uma chave especial (Fig. 18), os ratos se sentem seguros e protegidos.

Fig. 18 - Porta iscas e/ou caixa-comedouro
Fig. 19 - Blocos de raticida resinado fixado na caixa



Os blocos parafinados e/ou resinados, são ideais para o combate aos ratos nas áreas externas, em locais onde existe umidade ou risco de chuvas. São especialmente indicados para o estabelecimento de cordões de isolamento.

A distribuição das caixas-comedouros deve ser feita, preferencialmente, em áreas perimetrais externas e internas, como já mencionamos acima, próximas aos locais onde existem indícios de atividade dos ratos, como trilhas, fezes, urina, etc., e, na formação de cinturões de interceptação de roedores invasores, vindos de áreas contíguas não tratadas. 

São inúmeros os raticidas existentes no mercado e os ingredientes ativos utilizados na fabricação dos mesmos. Atualmente, estando proibidos os raticidas agudos e desprezados os raticidas de dose múltipla, os raticidas anticoagulantes de dose única, vem tendo a preferência dos técnicos e armazenadores. São seguros, eficientes e de baixa toxicidade para o ser humano e animais domésticos.

Um raticida altamente palatável e eficiente, é o Contrac, fabricado a base do anticoagulante bromodiolone, pela Beel Laboratories, dos Estados Unidos e importado pela Aventis Cropscience do Brasil. Sendo de ação lenta, os ratos não relacionam a morte dos companheiros, à ingestão das iscas. Os resultados não são imediatamente visíveis, pois muitos ratos vão morrer dentro das tocas e abrigos.

As caixas-comedouro podem inibir, inicialmente, a visita dos roedores à isca. Por serem objetos estranhos e novos no ambiente, podem induzir à neofobia, ou seja, medo de situações novas. Por isso, essas caixas-comedouros devem ser instaladas previamente, para que os ratos se acostumem a elas.

Do segundo ao quinto dia, os ratos perdem o medo e começam a se alimentar com o raticida. A partir do quinto dia, nota-se uma diminuição no consumo do produto e começam surgir ratos doentes. Os efeitos surgem com maior intensidade, no sexto e sétimo dia após a aplicação do raticida. Os cadáveres devem ser retirados diariamente e enterrados. 

Ao cabo de 7 a 10 dias, as iscas não tocadas devem ser removidas e colocadas em outro local. Para facilitar o recolhimento e melhor controle, as caixas-comedouros devem ser numeradas. 

A cada 8 dias após o recolhimento, as caixas-comedouros devem ser repostas, até que não se notem mais sinais da presença de roedores.

Para o combate aos ratos de telhado, mormente nas indústrias alimentícias, aconselha-se amarrar os blocos resinados e/ou parafinados, nos forros, nas estruturas do telhado e nas rotas de subida e descida. Estas rotas pode ser localizadas pelas manchas de gordura deixadas pelos ratos.

Quando se tratar de camundongos, as iscas - geralmente pelets - devem ser dispostas em pontos situados a 30 ou 40 cm um do outro, pois os mesmos são bastante curiosos e apenas mordiscam o raticida.

Os tratamentos devem ser feitos periodicamente, para manter baixa a população dos roedores. Nas épocas de pouco alimento no campo, isto é, sem lavouras, é comum o aparecimento de um maior número de ratos.

É bom lembrar, que todos os raticidas são tóxicos, motivo pelo qual deve-se ter todo cuidado com o seu uso, seguindo todas as recomendações técnicas contidas nas bulas. Devem ser sempre mantidos fora do alcance de crianças e animais domésticos. Outrossim, jamais devem ser aplicados raticidas diretamente sobre os grãos e outros produtos armazenados.



Nota do autor: - Eventuais dúvidas, sugestões e/ou críticas ao presente trabalho, podem ser esclarecidas e/ou aceitas pelo telefone (0XX41) 3352-3032 ou FAX (0XX41) 253-2323, ou, ainda, pelo E-mail: tecnigran@tecnigran.com.br 

 



Rubens Stresser, é engenheiro agrônomo, formado em 1950 pela Escola Nacional de Agronomia da Universidade Rural do Rio de Janeiro. É aposentado do Banco do Brasil, no qual atuou em diversas áreas ligadas à Carteira Agrícola, inclusive no Departamento de Comercialização do Trigo Nacional – CTRIN, onde, por 17 anos foi responsável técnico pelos estoques reguladores de trigo do Governo Federal, nos estados do Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Minas Gerais e Goiás.
     Participou, desde 1958 em todos os congressos, simpósios, encontros e reuniões sobre armazenamento e controle de insetos e pragas, que têm sido realizadas em vários países. É membro do GRAIN ELEVATOR AND PROCESSING SOCIETY – GEAPS e da NATIONAL PEST CONTROL ASSOCIATION – NPCA dos Estados Unidos da América. Atualmente é Diretor Técnico da TECNIGRAN - Proteção de Grãos e Sementes Ltda.





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